sábado, 13 de dezembro de 2014

Tchaikowsky Symphony 5

Nem era minha intenção postar nada. Aliás, faz um tempo que eu nem abro este blog. Mas tenho que deixar registrado aqui: nas última semana, tenho ouvido quase que diariamente a Sinfonia n.5 de Tchaikowsky. Já a conheço há vários anos. A conheci comprando despretensiosamente um CD em uma revista de banca. Vocês têm notado como as bancas de revista andam sumindo? Não sei, talvez seja uma impressão minha... enfim.
Amo esta sinfonia, e recomendo fortemente a gravação abaixo:
Maestro Karajan regendo a Filarmônica de Viena. Não preciso dizer mais nada. Bom, tudo bem, já fiz algumas críticas ao tio Herbert aqui neste blog, mas neste caso tenho que ser justo. E esta orquestra, não tenho nada a dizer. Só ouçam. Não é a toa que é uma das melhores filarmônicas do mundo. São uma máquina sonora, são perfeitos.

Se você for do tipo de pessoa que precisa entender racionalmente o que está fazendo e precisa saber a opinião de outros para decidir se gosta ou não de alguma coisa, então leia aqui:

http://en.wikipedia.org/wiki/Symphony_No._5_%28Tchaikovsky%29

No mais, simplesmente ouça esta gravação. Mas ouça com som de boa qualidade, jogue no lixo aqueles fones vagabundos de camelô.
E também deixem de lado a televisão e os telejornais, não há praticamente nada lá que vos interesse de verdade. Não nivelem-se por baixo. Vão ouvir música, aprimorem seus sentidos, alimentem-se de beleza. A Internet hoje é repleta de conteúdo de qualidade, música, filmes, e tanta coisa que precisaríamos de 3 vidas para assistir tudo. Mas aproveite o tempo que você tem, a única vida que temos.
E seremos todos pessoas melhores.

Até a próxima.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Gustav Mahler

Se você aprecia música erudita, em linhas gerais, provavelmente iniciou por Bach, Vivaldi, Mozart e foi avançando, passando por Beethoven, Haydn, Brahms, Dvorak, e tantos outros. No entanto, se você seguir por esta estrada, é muito provável que chegará um dia em que seus ouvidos vão querer algo mais. Não dá para explicar muito bem, mas talvez chegue um dia em que você vai desejar ser surpreendido, vai desejar receber uma dose mais maciça de música.

Quando este dia chegar, você vai querer ouvir Gustav Mahler.


Considerado por muitos como um dos maiores orquestradores que já existiu. E é possível perceber isto em suas sinfonias, 9 terminadas e uma décima inacabada.

Mas vá devagar. Apreciar Mahler vai demandar tempo, um certo grau de insistência. Talvez não soe muito bem na primeira ou segunda tentativa. Mas não desista, vale o esforço. Para mim, foi como as primeiras vezes que ouvi Bruckner: no início era uma 'chapuletada' musical muito forte, não conseguia. Só que Mahler é ainda mais complexo. Tem que ouvir com calma, dedicar um tempo para isto, para apenas ouvir música.

A dica é: vá direto para as sinfonias, mas comece pela ordem. Ouça a Sinfonia n.1 ('Titan'), que é uma boa porta de entrada para Mahler. É uma sinfonia mais fácil de assimilar. E como sugestão fica uma interpretação da Filarmônica de Viena, conduzida por Leonard Bernstein. Aliás, Bernstein foi um dos grandes responsáveis por trazer a música de Mahler de volta aos palcos, digamos assim, e com interpretações maravilhosas, como esta do vídeo abaixo.


Depois de bem digerida a Sinfonia n.1, vá para a Sinfonia n.2 ('Ressurreição'). Esta já tem cantores solistas, coral. Tudo bem que isto não chega a ser uma novidade, mas esta sinfonia vai ampliar seus horizontes delineados pela 9ª de Beethoven, pode acreditar. 

Como sugestão, fica a interpretação do video abaixo, pela Royal Concertgebouw Orchestra, regida pelo maestro Mariss Jansons. Já nos primeiros minutos, com aquela atmosfera tensa criada pelas cordas, já vai te avisar que vai passar um transatlântico pelos teus ouvidos. Ouça em alto e bom som. 


Outro destaque desta Sinfonia n.2 é o quarto movimento, "Urlicht. Sehr feierlich, aber schlicht". Traduzido, seria algo como "Luz primordial. Muito solene, mas simples". No vídeo acima, este movimento começa aos 47:10. Curiosamente, a primeira vez que ouvi este trecho (há muitos anos atrás) eu nem sabia que tratava-se da Sinfonia n.2. E até hoje este trecho me emociona, talvez hoje ainda mais.

Farei outros posts sobre Mahler, conforme eu mesmo for seguindo por esta estrada.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Os incríveis

Os Incríveis foi uma banda de rock e pop dos anos 60 e 70 (nada a ver com aquele desenho animado...). Inicialmente esta banda se chamava The Clevers e tocavam basicamente twist, no início de carreira, que era o estilo que estava em alta no início da década de 1960. Porém, na época da Jovem Guarda, eles acabaram brigando com o empresário deles (Antônio Aguilar), que era dono da marca The Clevers, e tiveram que mudar de nome.
Bem nesta época veio o sucesso e gravaram algumas músicas lembradas até hoje, dentre os quais "Era um garoto que, como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones", uma música italiana de 1966 composta por Gianni Morandi e Franco Migliacci e "Eu te amo, meu Brasil" (uma famosa música ufanista muito utilizada durante o período da ditadura militar).
Na verdade, a banda ainda existe e está na ativa, comemorando seus 50 anos. Dois integrantes da formação original já morreram (o saxofonista Manito e o baixista Nenê Benvenutti). Abaixo uma foto da formação atual:


Eu fiz este pequeno post porque estes dias a banda Ultraje a Rigor, em um programa de entrevistas do SBT, tocou a seguinte música na finalização do programa:


Fui pesquisar e acabei descobrindo que esta música é justamente "O Milionário". Segue abaixo a versão original de Os Incríveis:


Para saber mais alguns detalhes sobre os acordes desta música, temos aqui um link interessante:
http://www.cifras.com.br/tablatura/os-incriveis/o-milionario


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Altamiro Carrilho

   Hoje faz um ano que morreu Altamiro Carrilho, aos 87 anos.


   Altamiro gravou mais de 100 discos, compôs mais de 200 canções. Apresentou-se em mais de 40 países sempre difundindo o Choro brasileiro.
Foi o flautista com maior número de gravações registradas na história do disco no Brasil, além de ser considerado por críticos e especialistas da área como um dos maiores flautistas da história do instrumento.

   Para relembrar e matar a saudade, um excelente vídeo da TV Cultura, gravado em 1999. Uma aula de música, história da MPB e simplicidade, com este indiscutível mestre da flauta que foi Altamiro Carrilho.


   Neste vídeo, Altamiro conta algumas histórias de sua vida, de seus amigos e outros artistas, e executa algumas músicas famosas, com o acompanhamento do Evandro do Bandolim (bandolim), Luizinho (violão), Lúcio França (cavaquinho), Zequinha (pandeiro) e Dinho (segundo violão).
   Altamiro ganhou a primeira flauta aos 5 anos, como um presente de Natal. Em seguida, começou a produzir seus próprios instrumentos com bambu. Só aos 11 anos passou a ter aulas de música gratuitas com um carteiro. Pouco tempo depois, tocando flauta, venceu o programa de calouros de Ary Barroso. Esta história ele conta no vídeo (12:22)
   Depois, trabalhando como farmacêutico e continuando seus estudos de música à noite, conseguiu comprar uma flauta de segunda mão e iniciar sua carreira. 


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Piano Concerto

   Atualmente, o termo "concerto" refere-se às mais diferentes formações orquestrais e a vários tipos de obras. Costuma-se dizer, hoje em dia, que "vou no sábado assistir ao concerto da orquestra X", sem que com isto fique necessariamente implícito o tipo de obra que será executada. Ou seja, a palavra "concerto" virou um termo mais popular.

   No entanto, eu sou daqueles que ainda prefere usar o termo "concerto" naquele sentido mais clássico, que solidificou-se lá na época do Romantismo: um tipo de obra na qual temos um ou dois instrumentos solistas acompanhados por uma orquestra. Foi justamente no Romantismo onde os concertos passaram a ter como propósito explorar ao máximo o virtuosismo do solista.

   Ao longo da história foram escritos concertos para os mais diversos instrumentos solistas, desde concerto para tuba até concerto para gaita diatônica. Mas de todos os tipos de concerto, o meu preferido ainda é (e sempre será) o concerto para piano. Existe algo de excelência neste tipo de concerto, algo quase místico. Até visualmente é bonito, aquele enorme piano de cauda semi-cercado pela orquestra, com a qual estabelece uma relação de "amigável disputa", que resulta, certamente, em uma experiência musical fantástica. Vários outros tipos de concerto são muito bonitos, mas o concerto para piano é mágico.

   Tornar-se um pianista em condições de ser solista em um concerto para piano é para poucos. Envolve muito, mas MUITO estudo, dada a complexidade inerente do piano. Mas particularmente no mundo dos concertos para piano, ser um solista de destaque exige mais do destreza, memória, técnica e 8 horas diárias de estudo: exige talento e expressividade.

   A BBC fez um programa muito bom sobre isto, em sua série "Imagine...". O documentário chama-se "Imagine being a concert pianist". É um documentário de 2005 (em inglês), mas vale a pena ver pois continua certamente muito atual.


   Basicamente, este documentário trata dos vários fatores envolvidos para se tornar um pianista de concerto, desde a dificuldade, o tipo de estudo, o que se espera de um solista nos dias de hoje, onde temos centenas e centenas de pessoas estudando para isto, mas apenas alguns poucos de destacam e chegam a gravar CDs, DVDs e tocar com as grandes orquestras.

   Se você não quiser ver o documentário todo, tudo bem. Mas deixo abaixo listado alguns pequenos trechos que merecem uma olhadinha rápida:

0:51 - Este é Benjamin Grosvenor, na época com 12 anos. Este simpático garotinho de língua meio presa deixou muito pianista profissional de queixo caído. Ele dá uma entrevista bem interessante logo alguns minutos depois. O que ele faz no piano é sobrenatural.

7:32 - Nas palavras do mestre Artur Rubinstein (que aparece várias vezes no documentário): "(...) you cannot learn talent". Segundo ele, você nasce com o talento e depois apenas o desenvolve. Mas você não pode aprender o talento.

22:00 - Na escola Juilliard de música, em Nova Iorque, olha o nível das aulas que eles têm lá. Professores de excelência lapidando pianistas de várias partes do mundo. Ali não adianta ler a partitura e tocar muito bem. Você precisa expressar algo com isto, e também saber expressar-se. Aos 24:40, a professora pergunta ao aluno: "Qual a diferença entre o meu jeito de tocar e o seu?" É o tipo de pergunta que coloca o aluno em cheque...

27:00 - Este chinês é Lang Lang, excepcional pianista da atualidade. Ele tem uma característica que eu acho interessante nos melhores pianistas: ele toca com emoção. Veja um pré-aquecimento dele antes de entrar em palco (para execução do magistral Concerto n. 4, de Beethoven), não só em termos de piano, mas como ele repassa a música mentalmente, estuda a partitura, prepara-se emocionalmente para a apresentação, como ele lida com o nervosismo. É uma espécie de mini-aula com um jovem mestre. Imperdível. É legal vê-lo nos bastidores, e aos 29:42 ele entra no palco. Aos 30:30 inicia o concerto. Este Concerto n.4 de Beethoven já inicia com alguns acordes ao piano. Este início em particular não é tecnicamente difícil, mas emocionalmente difícil. E Lang Lang atinge a perfeição. Eu, particularmente, nunca ouvi execução tão perfeita como esta do Lang Lang. Ele próprio fala mais sobre isto na sequência.

   (Aliás, um comentário: se você nunca ouviu o Piano Concerto n.4, de Beethoven, não perca mais tempo. Tire um tempo e ouça, mas com atenção, com qualidade. Tua noção do que é música de verdade vai subir um degrau depois disto, no mínimo...)

53:15 - Uma palhinha do pianista russo Yevgeny Kissin. Ele toca BEM melhor do que fala inglês.

   Para finalizar, existem na Internet listas de discussão perguntando qual é o concerto para piano mais bonito. Só pessoas muito principiantes em termos de música podem responder a uma pergunta destas. Existem vários concertos muito bonitos, incomparáveis entre si. Quem consegue eleger um como sendo O MAIS bonito, é porque precisa aumentar seus horizontes em termos de experiências e conhecimentos musicais.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Interpretação (I)

Neste post estou considerando o termo "interpretação" no sentido de execução musical, ou seja, ao processo musical de transformar a música escrita (em partituras ou registros escritos) em música propriamente dita, criando a experiência sonora ao ouvinte.

As incontáveis variações e diferenças que aparecem nas interpretações é o que torna, na minha opinião, a música erudita tão interessante. Nem mesmo peças célebres são imunes a uma interpretação medíocre, e o contrário também ocorre: peças simples crescendo em força e sonoridade, graças a uma excelente interpretação. É como disse Gustav Mahler, em uma frase parecida com esta: "A partitura tem tudo sobre a música, exceto o essencial." O próprio Carlos Gomes, em carta a Francisco Braga, escreveu que "a música é expressão e expressão não se escreve".

É evidente que este assunto é vastíssimo e complexo. A interpretação está apoiada e limitada em vários outros fatores, igualmente diversos e complexos, tais como partituras com especificações não muito exatas, perícia dos músicos no que diz respeito ao domínio de seus instrumentos (assim como a qualidade dos próprios instrumentos), gosto pessoal dos maestros, modificações na orquestração, etc.

Se você conhece o mínimo de música erudita já deve ter percebido como diferentes interpretações podem realmente afetar profundamente a obra. Mas vamos explorar o assunto de uma forma prática. Escolhi uma obra de Mozart para mostrar, usando alguns videos, como uma mesma obra soa diferente dependendo de quem a está executando.

A obra escolhida foi o Divertimento em Ré Maior, KV 136, em seu terceiro movimento, "Presto". A primeira coisa é ter em mãos a partitura da obra. Neste ponto já temos o primeiro problema, ou seja, o primeiro ponto onde podem começar as diferenças. A pergunta é: "qual partitura?" Sim, pois não temos em mãos a original manuscrita de Mozart (e não seria muito útil, a menos que já estivéssemos acostumados com a caligrafia dele). Então as partituras que temos são cópias das cópias das cópias... O quanto distante isto já está da ideia original do compositor? Este é o primeiro ponto, no qual começam a nascer as potenciais diferenças.

Vamos tentar então pegar a partitura mais confiável que conseguirmos. Temos esta:

IMSLP64150-PMLP14900-Mozart_Werke_Breitkopf_Serie_14_KV136.pdf

(Aliás, perguntinha rápida: você conhece o IMSLP? Se você curte música erudita e não conhece o IMSLP, então sua vida está prestes a mudar.... clique aqui e impressione-se)

É uma partitura para quarteto de cordas. Na página 8(284) inicia-se o Presto. Aqui, outro ponto onde as diferenças podem se acentuar ainda mais. Na partitura diz apenas "Presto" e nada mais. Não temos o tempo exato que Mozart imaginou ao compor a obra. Que valor colocamos no metrônomo? Este é um motivo de muita discussão. Veja neste link de teoria musical os vários valores aceitáveis para as mais diferentes marcações de tempo. Para "Presto" temos o seguinte:

  • 100-152 bpm (some sources suggest 168-208 bpm)
  • (a nineteenth-century Maezel metronome suggests 160 bpm)
  • (a 1950 metronome suggests 144 bpm)
  • (a modern electronics metronome suggests 180 bpm)

Então, dependendo da escola do músico, de sua formação musical, dependendo da literatura na qual ele se baseia, podemos ter uma execução que vai de 100 bpm até 208 bpm!!! Não sei se você tem uma noção clara do quanto um extremo difere do outro. Se não tem, vamos ver então, na prática. De posse da partitura e de um metrônomo (se você não tem um, pode usar um metrônomo on-line, como este aqui), tente solfejar a música em 100 bpm e depois em 208 bpm.

Bom, certamente você já percebeu que, apesar destes valores estarem presentes na literatura, é bem estúpido considerar ambos como "Presto". Mas então, qual valor usar? O ponto médio entre os extremos? Quais extremos? A partir deste ponto, não existem mais respostas certas e erradas. Vai depender de como você vai interpretar a obra. A título de curiosidade, com o passar dos anos esta bagunça foi sendo eliminada com os compositores colocando o valor explicitamente na partitura (por exemplo, M.M. = 160), complementando de maneira mais exata a palavra (ou frase) que indica o andamento. Alguns músicos acham que isto deixa a partitura "engessada demais", pois o compositor não dá liberdade na escolha do metrônomo. Ora, isto é idiotice pois há muito mais em jogo. Definir com exatidão o metrônomo não deixa coisa alguma engessada, apenas coloca uma definição mais correta em algo que deveria ser, por definição, matematicamente exato. E músicos não são computadores executando um arquivo MIDI... haverão naturalmente acelerações, retardos, etc, etc., tudo dentro do que se espera de músicos humanos e emocionais, só que tendo como base o metrônomo.

A seguir, eu vou colocar 3 videos com diferentes interpretações da obra em questão. No primeiro, temos Herbert von Karajan conduzindo a Filarmônica de Berlim. O "Presto" começa aos 9:16. Pode ir direto até lá e ouça o "tio Herbert" apressado, castigando a orquestra... devia estar atrasado para algum compromisso, ou algo assim.


No segundo vídeo, não sei quem são os interpretes. Só sei que são lerdos. O "Presto" começa aos 14:27. Ouça:

Neste terceiro vídeo, a execução foi feita pelo pessoal da Drottningholm Baroque Ensemble, utilizando instrumentos autênticos da época barroca. Antes que os puristas pulem de alegria, vou provocar aqui com minha opinião: usar instrumentos de época não é, necessariamente, sinônimo de melhor sonoridade. Felizmente, os instrumentos evoluíram muito desde aquela época. Ouça e tire suas próprias conclusões:


E então? Qual você gostou mais?
Antes de responder (ou se você não gostou de nenhuma delas, o que é mais provável....), ouça a interpretação de Seiji Ozawa, conduzindo a Mito Chamber Orchestra, vindo de uma modesta gravação em VHS de 1990.

E agora? Me arrisco a dizer que agora sim, este movimento "agradou seu ouvido e alegrou seu coração". Na minha opinião, a melhor interpretação deste movimento é algo bem próximo a isto. Interpretação limpa, exata, com energia e leveza, levando o andamento "Presto" nem para um extremo nem para outro.

Este pequeno exercício foi só para ilustrar o quanto a interpretação influencia no resultado sonoro, assim como as escolhas acerca da instrumentação, etc. Para quem gosta de música erudita, uma das dificuldades (mas, ao mesmo tempo, é um dos prazeres) é 'garimpar' as melhores interpretações. Muitas vezes vale a pena até pagar por isto, por um determinado CD ou DVD que contém aquela interpretação perfeita! A busca pelas melhores interpretações é algo que acompanha o ouvinte apreciador de boa música por toda a vida.

domingo, 30 de junho de 2013

Edvard Grieg

Grieg é sem dúvida o maior compositor da Noruega, sendo um dos responsáveis por colocar a Escandinávia no mapa musical. É bem verdade que Grieg viria a ser um pouco marginalizado na história da música clássica, mas, apesar disso, exerceu grande influência sobre os compositores franceses do século 20. Grieg morreu em setembro de 1907.


Sua exploração da música folclórica norueguesa e colaborações com escritores conterrâneos ajudaram-no a desenvolver um estilo abertamente nacionalista em espírito. Suas melhores obras estão nas canções líricas e nas requintadas peças instrumentais. Quem não conhece as Suítes Peer Gynt n.1, Op.46 e n.2, Op.55 ? Logo nos primeiros segundos do vídeo abaixo você vai lembrar:


Estas suítes são livremente baseadas em contos de fadas noruegueses. Nasceram de 23 peças curtas compostas como música incidental para uma montagem teatral. Para Grieg, mestre da miniatura, a música incidental para teatro era a forma ideal.
As vezes Grieg é depreciado por ser miniaturista, e não deixa de ser verdade, mas reconhece-se como uma exceção o majestoso Concerto para piano, op.16. Este concerto foi fortemente influenciado pelo concerto para piano de Schumann e também Liszt. Aliás, reza a lenda que Liszt viu a obra em manuscrito e impressionou Grieg ao tocá-la perfeitamente à primeira vista!
Se você não conhece este concerto, tire uma meia hora e assista-o, de preferência com um som decente e em 720p. Os compassos de abertura desta obra devem ser dos mais instantaneamente identificáveis em toda a música clássica.


O solista gurizão no vídeo acima chama-se Hannes Minnaar, pianista holandês que, apesar da pouca idade, já vem ganhando destaque no meio musical. Na verdade, fiquei impressionado com a execução dele deste concerto. Não é uma execução estática (tem alguns pianistas que parecem uma múmia dedilhando ao piano), e que se sai com desenvoltura tanto nas partes mais virtuosas quanto nas partes mais suaves. Neste concerto de Grieg, a principal forma de saber se o solista é bom (óbvio, assim como em boa parte dos concertos de piano), é a parte da cadenza. Ouve só o que o guri faz dentre os 8:36 e 11:52... chega a dar pulos na cadeira! E esta energia toda passa para a música, excelente.


Aliás, uma ótima dica é este site da Avro:

http://cultuurgids.avro.nl/front/archiefklassiek.html
ou ainda o canal deles no YouTube. 

Tem MUITA coisa legal ali, magnificamente gravados, tanto áudio quanto imagens, e isto sem falar da parte musical: execuções mais que excelentes (a nossa OSPA tem que comer muito feijão para chegar perto disto...).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Jackie Evancho


Já tem algum tempo que este post está na fila, mas apenas agora consegui concluí-lo. É um post sobre o que acontece na vida quando se juntam educação, disciplina, investimento, oportunidade e, principalmente, talento. E, em se tratando particularmente de música, eu diria que desta lista o talento é o item essencial. Se vocês ainda não conhecem, lhes apresento Jackie Evancho, esta garotinha da foto abaixo:


Jackie nasceu em abril de 2000, em Pittsburgh, Pennsylvania, e já era razoavelmente conhecida em sua região, onde já apresentava-se como cantora desde 2009. Mas foi ao participar da 5º edição do America's Got Talent (sim, o mesmo programa que apresentou Susan Boyle ao mundo) que ela tornou-se realmente conhecida. Esta edição foi em 2010, e olhem só como foi a primeira apresentação dela no concurso, cantando a ária "O Mio Babbino Caro", da ópera Gianni Schicchi (1918), de Giacomo Puccini:


Quando vi este video pela primeira vez, além de emocionado, fiquei muito impressionado. Eu mal podia acreditar nisto, a imagem parecia não combinar com o som: uma típica garotinha de 10 anos, só que cantando melhor do que muita gente grande por aí. Na época os comentários eram vários. Talvez pelo impacto que ela tenha causado no público do America's Got Talent, muita gente considerava a Jackie como sendo a "segunda Susan Boyle". Outros ainda mais empolgados a consideravam como "uma representante dos anjos na Terra".

Obviamente houveram críticas. Algumas pessoas criticavam coisas do tipo "os poofs no microfone", ou ainda as respirações em lugares inapropriados... Eu li algumas merdas deste tipo, ditas por pessoas em geral negativas que só sabem ressaltar os defeitos. Porra, ela tinha apenas 10 anos!! Tem centenas de cantores adultos que não têm metade do fôlego que ela tem. E havia ainda quem acreditasse firmemente que tudo não passava de uma fraude, que era tudo playback e que a garotinha simplesmente mexia os lábios, dublando sei-lá-quem. Ela já participou de tantos programas de televisão, de tantos eventos, foram tantas as oportunidades nas quais ela demonstrou que é ela mesma quem canta, que nem vale a pena considerar este argumento. Aliás, com 12 anos de idade ela já tem uma vida artística mais plena e rica do que muito artista profissional por aí (em particular artistas brasileiros).

Na verdade, o fenômeno Jackie Evancho é tão impressionante que até é compreensível que as pessoas duvidem. Mas o fato é que ela é aquelas raras combinações de talento e investimento. Para um artista brilhar, em particular no meio musical, é preciso ter talento (que pode e deve ser lapidado com muito estudo, dedicação e paixão) mas também ter investimento, tanto na educação básica (na formação que começa em casa com incentivo da família) quanto na divulgação. Se só existe o talento, é como uma semente que não se desenvolve, uma grande promessa que não se concretiza. Se só tem investimento, vira algo meio artificial, meio sem sabor, como uma Britney Spears.

Se você procurar informações sobre Jackie na Internet, vai ver várias vezes a expressão "crossover singer", categoria na qual Jackie é classificada. Crossover singer é um termo usado para definir aquele cantor ou cantora que consegue colocar a voz tanto para música popular quanto para música erudita. Um exemplo típico deste tipo de cantora é Sarah Brightman, de quem Jackie é fã. Aliás, inclusive já cantaram juntas. Fizeram um dueto na final do America's Got Talent. Eu não gosto muito de Sarah Brightman, mas foi bonitinho ver o comportamento da Jackie frente a sua ídola. E olha: acho que a Jackie canta melhor...


Aos 11 anos Jackie fez o concerto "Dream with me", produzido em parceria com a Sony Music, onde ela faz duetos com vários artistas, entre eles Barbara Streisand e Susan Boyle, igualmente revelada ao mundo pelo America's Got Talent. O interessante é que, assim como Susan, Jackie não venceu a final: ficou em segundo lugar, perdendo para um tal de Michael Grimm. Abaixo um dos momentos do concerto, onde ela canta Nella Fantasia, uma canção em italiano baseada na música "Gabriel's oboe", tema principal do filme The Mission, de 1986. É de arrepiar...


Em outubro do ano passado (2012) foi lançado o quarto álbum de Jackie Evancho, chamado de Songs from de Silver Screen, contendo 12 músicas usadas em vários filmes, inclusive alguns filmes da Disney, arranjadas por Bill Ross. Assim que possível, vou dar uma conferida neste álbum.


Eu sinceramente desejo que Jackie Evancho continue em ascenção, continue desenvolvendo sua técnica e aprimorando o talento que já possui. Eu, particularmente, já virei fã.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Anton Bruckner

Lá pelo ano de 1995 a editora espanhola Del Prado lançava nas bancas brasileiras uma coleção de encartes de música erudita. Eram 78 volumes, cada volume acompanhava um CD de áudio e consistia em algumas páginas do que, ao final, formariam 3 livros encadernados. As capas duras vinham também, em alguns volumes específicos. Na época, eu estava na faculdade e a pouca grana que eu ganhava na bolsa até que dava para encarar esta coleção. Então fui comprando os fascículos, que chegavam mais ou menos um por semana. Com o tempo, o tiozinho da banca até já deixava reservado meu exemplar. (Mesmo assim, perdi dois volumes quase no fim da coleção, dois de Mozart... que tristeza).

Coloquei como objetivo pessoal que eu leria o texto de cada fascículo e ouviria o respectivo CD com a devida atenção. Na época, eu já gostava de música erudita e até conhecia algumas obras e compositores, mas eu queria mesmo era ampliar meus horizontes.

Foi assim que ouvi pela primeira vez a música de Anton Bruckner.


A única obra dele que veio naquela coleção foi a Sinfonia n.4, a "Romântica". Lembro-me como se fosse ontem: comecei a ouvir e não consegui chegar ao final do CD. Na época não gostei, não suportei, mas sabia direito o motivo. Simplesmente meu ouvido não estava preparado para ouvir tal coisa. Hoje lembro disto como uma clara demonstração de que, na vida, a gente vai amadurecendo e aprendendo a gostar de obras que antes não seriam digeridas. Tudo ao seu tempo. Não preciso nem dizer que aquele CD é hoje um dos meus preferidos da coleção.

Ao longo de sua vida, Bruckner compôs missas, motetos, peças para órgão (instrumento no qual era exímio improvisador), mas o ponto alto deste compositor austríaco foram, sem dúvida, suas sinfonias. Nove ao total, assim como Beethoven, só que a nona de Bruckner ficou inacabada, com sua morte em Viena, 1896). E assim como Beethoven, Bruckner vivia um tanto sozinho e não tinha lá muitos amigos. Em sua época, depois de ser massacrado por muitas críticas, o reconhecimento e o sucesso vieram mesmo com a Sinfonia n.4 e a partir dela, uma sucessão de obras-primas. Era um compositor introspectivo, perfeccionista, auto-didata e sempre imerso em uma ansiedade e insegurança no que dizia respeito ao seu reconhecimento como artista. Tanto que, em 1867, acabou tendo um esgotamento nervoso e foi parar num sanatório.

No video abaixo, você pode conferir uma entrevista com Simon Rattle (atual regente titular da Filarmônica de Berlim) sobre a Sinfonia n.4 de Bruckner, com trechos da sinfonia.


Não encontrei nenhuma execução realmente decente desta sinfonia no YouTube. Até tem algumas razoáveis, mas já ouvi melhores. No geral, as sinfonias de Bruckner não são muito fáceis de se encontrar, mas vale cada segundo de procura. Isto é uma das coisas interessantes na música erudita: a busca incansável pela melhor interpretação, por aquela execução que chega a ser maior do que a própria obra em si, que não se limita à leitura mecânica da partitura.

Recomendo sinceramente: ouça as sinfonias de Bruckner de uma forma decente, com qualidade de som e com dedicação. Não dá para apreciar Bruckner no formato MP3 de 128kbps com um fone vabagabundo no meio do trânsito. Para ter uma remotíssima noção do que eu estou falando, dá uma conferida no video abaixo como é o final da Sinfonia n.8 (o maestro é Lorin Maazel, diretor da Filarmônica de Nova Iorque):


Para saber mais, temos o interessante texto:
Anton Bruckner - o Bach do Romantismo

E também tem o livro de Lauro Machado Coelho, O menestrel de Deus - Vida e obra de Anton Bruckner. (ISBN-13: 9788560187188, da Editora Algol), uma ótima leitura.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Jean Michel Jarre

Se você já tem uma certa idade, assim como eu, certamente já ouviu falar de Jean Michel Jarre.


Teve uma época, lá por 198x, a televisão mostrava trechos dos shows do Jean Michel Jarre, se me recordo bem era no Fantástico, da Globo. Ele era anunciado como o "mago dos teclados", e na minha cabeça de criança era mais ou menos assim que eu o via. Aquele uso compulsivo de lasers (ele tinha até uma harpa laser!) e aquele teclado circular cujas teclas se iluminavam ao ser pressionadas, bastaram para me deixar fascinado. É muito provável que foi ali que eu comecei a gostar de teclados e sintetizadores, mesmo sem nem saber o que era um "sintetizador" na época.

Jean Michel Jarre nasceu em agosto de 1948, francês, filho de Maurice Jarre (isso mesmo, o Maurice Jarre especialista em trilhas sonoras de filmes). Ele é, acima de tudo, um experimentador. Aliás, esta mesma qualidade de "experimentação" foi o que o levou a brigar com a gravadora Disques Dreyfus, depois de 25 anos juntos. Atualmente, a sua gravadora é a EMI. Reza a lenda que era comum Jarre entrar noites a dentro no estúdio em busca de sons diferenciados, inclusive usando objetos e técnicas nada ortodoxas para obter sons alguns sons incomuns e inovadores, dando a algumas de suas músicas um ar bastante experimental.

A obra-prima de Jarre é, na minha opinião, o álbum Rendez-Vous, de 1986.


Eu quase gastei o LP de tanto ouvir. Ainda está lá em casa, só que devidamente digitalizado, é claro.

Este álbum teve também uma importância histórica, pois "(Jarre) trabalhou num concerto com a NASA: o astronauta Ronald McNair iria tocar o solo de saxofone da música Rendez-Vous VI enquanto estivesse em órbita no ônibus espacial Challenger, enquanto os seus batimentos cardíacos seriam usados como amostras de som na mesma música. Esta seria a primeira música gravada do espaço, a ser incluída no álbum Rendez-Vous. Após o desastre com a espaçonave Challenger em 28 de janeiro de 1986, a música foi gravada com outro saxofonista, recebeu o nome de Last Rendez-Vous - Ron's Piece e tanto a música, como o álbum, foram dedicados aos astronautas mortos no acidente com a Challenger." (fonte: Wikipedia)

Outros álbuns de Jarre que merecem destaque, na minha opinião, são o Oxygene, de 1976 (seu primeiro LP totalmente instrumental e sintetizado), Equinoxe (1978), o fantástico Chronologie (1993) e o Waiting for Cousteau, de 1990, um álbum em homenagem ao famoso oceanógrafo e documentarista Jacques-Yves Cousteau. Destaques também para o The Concerts in China, de 1982, e o A.E.R.O., de 2004, um fôlego extra de Jarre dentro das tendências contemporâneas da música eletrônica pós 2000.


No video abaixo temos um trecho de um dos shows de J.M. Jarre. Tudo bem, talvez hoje em dia um show assim até seria considerado brega (em particular pela quantidade de fotos de artifício, um tanto exagerada), mas é interessante ver os conceitos que estavam ali presentes. O uso dos prédios e arquitetura local como painéis de projeção, a mistura de coral de vozes e instrumentos acústicos com sintetizadores e lasers, e toda aquela parafernália eletrônica (destaque para as partituras sendo dinamicamente exibidas em monitores CRT de fósforo verde!!), foram, no mínimo, referência para todos os shows de grande porte que vieram depois.


O som e imagem destes videos não está muito legal, mas provavelmente foram digitalizados de algum VHS. Dá para dar um desconto, né?
E no vídeo abaixo, provavelmente a música mais conhecida de Jean Michel Jarre, também do álbum Rendez-Vous. E dá-lhe mais fogos de artifício! (Confesso que até hoje tenho minhas dúvidas se aquele teclado luminoso funcionava mesmo ou se era apenas um apelo visual... porque, se era real mesmo, haja mão para tocar um simples acorde de quinta naquelas teclas largas!)


É bem verdade que atualmente, Jean Michel Jarre, em seus 63 anos de idade, já não produz nada novo. Sua produção atual é, basicamente, reformular seus antigos sucessos e fazer algumas turnês para mostrar esta "nova roupagem" de seus hits. Para mim, isto já não tem muito valor. Várias de suas obras são sensacionais do jeito que foram lançadas. Eu sei que a tecnologia dos sintetizadores melhorou muito nos últimos 30 anos, mas nem por isso você precisa ficar "atualizando" a sonoridade de antigas obras. Acredito que o auge de criatividade de Jean Michel Jarre está lá entre 1976 e 1993, mas já basta para lhe garantir um lugar de destaque na música contemporânea.

Para finalizar, lembro que eu ficava lendo na capa do LP quais eram os intrumentos que J.M.Jarre usava. Ficava imaginando como deveria ser legal ter pelo menos um daqueles teclados. Era um texto do tipo:

Equinoxe (1978)
Jean Michel Jarre played the following instruments:

2600 ARP Synthesizer, AKS Synthesizer, VCs 3 Synthesizer, YAMAHA Polyphonic Synthesizer, OBERHEIM Polyphonic Synthesizer, RMI Harmonic Synthesizer, RMI Keyboard Synthesizer, RMI Keyboard Computer, ELKA 707, KORG Polyphonic Ensemble, Eminent, Mollotron, ARP Sequenzer, OBERHEIM Digital Sequenzer, Matrisequencer 250, Rhythmicomputer, Vocoder E.M.S.


Atualmente, a Internet nos proporciona conhecer um pouco melhor alguns destes instrumentos. Se você ficou curioso, só para ilustrar, dá uma olhada numa demonstração do 2600 ARP Synthesizer.
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ppnNs4KE8Z0

Que tal?

domingo, 20 de novembro de 2011

Samuel Barber

Na minha opinião, dentro do pouco que conheço de música erudita, acho que a peça musical mais triste que já ouvi é esta:

Talvez a palavra "triste" não seja a mais apropriada, mas, de qualquer forma, é uma música daquelas que abrem aquele baú secreto da nossa alma, trazendo à luz aquelas coisas que geralmente conseguimos abafar muito bem no nosso dia-a-dia. Mas esta é só minha opinião e não será unanimidade, obviamente. Não existem unanimidades em se tratando de ser humano.

Este peça musical, normalmente conhecida simplesmente como "Adagio for strings", trata-se do segundo movimento do Quarteto de Cordas op.11, do americano Samuel Barber.


Samuel Barber teve formação como compositor e cantor na renomada Curtis Institute of Music. Numa época em que a música era dominada por moderninstas tais como Schoenberg e Stravinsky, o romantismo singelo de Barber mexeu com as plateias. Seu talento para linhas melódicas fluentes e fáceis de memorizar mascarou os aspectos mais contemporâneos de sua composição, sobretudo o acurado manejo da dissonância e a orquestração inventiva.

O Quarteto para Cordas n.1 op.11 foi composto em 1936. Dois anos depois, o próprio Barber reescreveu-o para orquestra plena de cordas, aproveitando para acrescentar recursos como peso e sonoridade. Talvez em função do tom profundamente melancólico e contemplativo, este adágio encontrou resposta junto ao público, sendo executado em vários funerais, como os de Kennedy, Roosevelt e Einstein.

Na versão abaixo, temos o famoso segundo movimento em uma versão mais original, para quarteto de cordas mesmo. É lindo, quase que se pode ver as quatro pautas dançando em nossa mente.


E também temos abaixo a versão orquestrada, que é o video do início deste post. Aliás, no YouTube tem incontáveis vídeos com esta música de fundo, é complicado escolher. Acabei optando por este, pela sensibilidade na escolha das imagens e edição, mas devem ter outros ainda melhores.

No cinema esta música combinou lindamente, de uma forma emocionalmente perturbadora, com o memorável filme Platoon (de Oliver Stone, 1986). Trata-se da imortal cena da morte do Sgt. Elias.


E aqui tem uma edição bem bacana com cenas do filme e usando esta mesma trilha sonora.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Reconhecimento de músicas

Estes dias, durante o jantar, estávamos assistindo ao programa "Qual é o seu talento", do SBT. Um dos candidatos que apresentou-se era um mágico, Bianconi, bem competente até por sinal. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi uma das músicas que ele usou de fundo em seu número. Era daquelas músicas que estava na minha mente, eu já ouvira antes com certeza, mas onde? Quando? Não tinha a mínima idéia do nome da música, nem compositor, nem nada.

Fico pensando: como eu resolveria isto há tempos atrás? Ligar para uma emissora de televisão não é como ligar para a rádio local de sua cidade... Bom, mas hoje em dia com a Internet, tudo ficou mais fácil.

O primeiro passo foi encontrar o vídeo do programa da televisão. Acabei achando o vídeo no YouTube, é lógico. A saber, a apresentação do mágico foi esta:


Minha primeira tentativa foi pedir ajuda para Michele, minha esposa, que tem um celular Motorola com aquele aplicativo MotoID, que identifica músicas. Mas o aplicativo não funcionou direito, por algum motivo desconhecido.
Então, fui a procura de alguma coisa a ser feita no computador mesmo. Acabei achando alguns sites que fazem on-line a mesma coisa que o MotoID faz. Alguns realmente são uma porcaria (como o AudioTag.info), mas o achado do dia foi o Midomi.

Como eu não estava em casa, tudo o que eu tinha a minha disposição era um fone da Leadership, daqueles com microfone, dos mais "chinelão". Mas foi suficiente. Coloquei para tocar o vídeo no YouTube e no trecho em que tocava a música, bastou encostar o microfone em um dos fones de ouvido, para fazer o Midomi "ouvir" via microfone o que estava sendo tocado nos fones! Sério, sem mentira, simples assim! Em cerca de 10 segundos de audição, ele me dava a resposta:


Fui ao YouTube novamente para dar uma geral e confirmar esta resposta. Dito e feito. Esta música, composta por Michael Gore, é tema do filme Laços de Ternura (Terms of Endearment), de 1983, filme este que nunca assisti, mas parece ser bacana. Já tá na minha lista de filmes que eu preciso ver.

Bom, então agora, aliviado com mais uma descoberta musical (quem já passou por isso sabe a sensação boa que dá), deixo com vocês o tema do filme, em duas versões: uma para piano solo e a outra orquestrada.



Bonita música, não?
Thanks Michael Gore and thanks to Midomi team!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Paul Mauriat

Quem curte música orquestral e já tem uma certa idade, certamente já ouviu falar de Paul Mauriat:

Nascido em Marselha, em 1925, Paul Mauriat era filho de uma família de músicos e dedicou sua vida inteira à música. Na verdade, sua especialidade era mesmo Easy Listening, também conhecido como "lounge music", que é aquele tipo de música mais comercial, de fácil audição, e que por isto mesmo faz enorme sucesso junto ao grande público.
Longe de ser depreciativo, a gigantesca discografia de Paul Mauriat atravessou décadas e adaptou-se muito bem as mudanças que foram ocorrendo no mercado musical. Bons tempos em que orquestras, ainda que executando obras mais acessíveis para a grande maioria das pessoas, eram ouvidas nos toca-discos em milhares de lares pelo mundo.
Talvez uma das execuções orquestrais mais famosas de Paul foi gravada pela primeira vez em 1968: é a música "L'Amour est Bleu" (Love is blue), de André Popp:

Outra peça que tornou-se famosa pelos arranjos de Paul Mauriat foi a música "El Bimbo", de Claude Morgan e Laurent Rossi (quem viu o primeiro filme "Loucademia de polícia" vai lembrar da cômica cena do bar "Ostra azul"):


Enfim, tenho um especial apreço por Paul Mauriat, que morreu em 2006 e cuja vida até hoje me supreende pela extensão de seus projetos, experimentos, influências e acessibilidade. Lá na minha infância, não comecei a gostar de música orquestral ouvindo Mahler, Bruckner ou Beethoven, mas sim ouvindo Paul Mauriat e sua orquestra (entre outros, é claro). A música, assim como qualquer arte, vai crescendo conosco, acompanhando nosso amadurecimento e nossa capacidade de compreensão.
Teve um vinil que quase "gastei" de tanto ouvir, quando era criança: (uma outra hora faço um post sobre Herb Ohta)

Não vou me alongar muito neste post, até porque alguém já fez todo um excelente trabalho: me refiro ao blog do André Emílio, de Porto Alegre. Lá tem uma enorme quantidade de informações sobre Paul Mauriat, tudo bem organizado. São fotos, discografia (com as capas dos LPs, achei o máximo!), links para músicas e muita informação.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Hang Drum

Eu nunca havia ouvido falar deste instrumento, o Hang (ou também chamado de Hang Drum) mas o negócio é simplesmente sensacional. Confesso que cheguei a pensar: "Ah tá... isto aí é um sintetizador pô!", coisas do tipo. Mas depois fui pesquisando e fiquei tão impressionado que deixo até registrado aqui neste post.
Vejam uma demonstração abaixo, executada por Dante Bucci:


Este instrumento foi desenvolvido no ano de 2000, na cidade de Berna, Suíça, pelo casal Felix Rohner and Sabina Schärer, da empresa PANArt. Basicamente é feito de duas peças metálicas, a parte superior (chamada de "Ding", onde temos aqueles círculos tonais) e a parte de baixo (chamada de "Gu" que caracteriza basicamente um ressonador de Helmholtz, lembrando o mesmo efeito do instrumento indiano Ghatam ou o instrumento africano Udu). Cada círculo está sintonizado em uma nota. O Hang Drum é tocado com as mãos e, como você viu no vídeo acima, ele mistura o ritmo da percussão com a suavidade da ressonância, sendo possível criar muitos efeitos.

Para comprar um brinquedo destes, não é nada fácil. A começar pelo preço, que normalmente gira em torno dos US$1500, dependendo do modelo. Além disto, não é muito fácil encontrar informações sobre como comprar este instrumento. Encontrei uma lista de sites:
http://www.balisteelpan.com
http://www.caisa-music.com
http://www.pantheonsteel.com
http://www.spacedrum.fr

Mesmo assim, acho que é mesmo um instrumento que será cada vez mais usado. Som incrível, viciante ouvir e deve ser mais viciante ainda tocar.

Fiquem então com a apresentação de Liron Mann:


Ou ainda com esta gravação em estúdio de um Hang Drum acompanhado por uma flauta transversal:


Legal, não? Eu quero um Hang Drum!!! :)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Extensão vocal

Estes dias eu estava olhando na Internet tópicos sobre a extensão vocal da voz humana. Não sei ao certo o que me levou a pesquisar sobre isto. Talvez tudo tenha começado com o quanto eu fiquei impressionado com o show A New Day, da Celine Dion, no qual ela dá uma mostra do poder de sua voz. Inclusive tem um vídeo bem legal que mostra trechos de várias músicas interpretadas pela Celine Dion, destacando a nota mais grave ou a mais aguda alcançada por ela, em várias de suas músicas:

 Celine Dion's Live Vocal Range

Tem muito material sobre a Celine Dion na Internet, mas várias fontes parecem concordar que a tessitura da voz dela tem cerca de 3.4 oitavas, indo de algo em torno do Si2 (B2) até o SolSustenido5 (G#5).
Aqui vale a pena diferenciar tessitura vocal de extensão vocal. Tessitura vocal é o conjunto de notas que o cantor ou cantora consegue articular sem esforço e com um timbre com qualidade suficiente para que possa ser usado musicalmente. Já a extensão vocal seria o conjunto de notas que o cantor ou cantora até consegue emitir, mas a custo de um esforço anormal e/ou comprometimento da qualidade.

Então acabei me deparando com duas curiosidades, que gostaria de compartilhar com vocês. A primeira: no mundo da música clássica, em qual obra está a nota cantada mais aguda? Tente adivinhar. Bom, se você chutou aquela famosa ária da rainha da noite (Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen), da ópera Flauta Mágica (Die Zauberflöte), de Mozart, saiba que QUASE acertou.

 Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen

A assustadora e enfurecida "Rainha da Noite" acima é a soprano alemã Diana Damrau. Assista, é nota 10!
Na peça acima, a nota mais alta é um Fá6 (F6). Já é para poucas pregas vocais no mundo, mas este F6 ainda não é a nota campeã.
A nota mais alta exigida de um gogó de soprano é um Sol6 (G6), também em uma peça de Mozart, uma ária de concerto chamada Popoli di Tessaglia. O vídeo que escolhi não está com áudio/imagem perfeitos, mas é pela interprete: Natalie Dessay. Que voz! Se estiver meio sem tempo, assista o vídeo a partir dos 6min45seg. Respeitável, não?


Outra curiosidade: qual é o recorde mundial em termos de extensão vocal? E quem é que detem este recorde?
Atualmente, no Guinness, estão registrados recordes para a voz masculina e a voz feminina. O recorde da voz masculina pertence a Tim Storms, cujo forte mesmo são as notas graves. Ele consegue uma extensão de 10 oitavas, indo do G/G#-5 até o G/G#5 (0.7973 Hz - 807.3 Hz). Sinceramente, abaixo dos 20 hertz a gente nem sequer consegue ouvir! E obviamente ele só consegue registrar isto com um microfone praticamente enfiado dentro do nariz, porque não há potência sonora alguma. Não consegui encontrar nenhum vídeo decente. Aliás, não consigo nem sequer entender como ele atingiria notas abaixo de 8 Hz, por exemplo. Mas enfim...

A nota mais aguda emitida por um homem, registrada no Guinness, pertence a Adam Lopez Costa. É um Dó#8. Parece que o cara engoliu um apito. No vídeo abaixo, temos uma demonstração (não desta nota, mas quase):


Para a voz feminina temos uma brasileira! Vejam só, prata da casa. Georgia Brown chegou a estar no livro Guinness por dois recordes: maior extensão e nota mais aguda. Mas, no quesito nota mais aguda, parece que teve problemas em provar isto e então ela acabou perdendo o posto para o Adam Lopez. Mas conta a lenda que ela alcança de um Sol2 até um inaudível (literalmente!) Sol10. Esta frequência é realmente inaudível para o ouvido humano e só pode ser captada com instrumentos eletrônicos. Tão esquisito quanto o ultra-grave do Tim...

É impressionante, sem dúvida, mas tenho lá minhas dúvidas da real utilidade de um recurso destes para a música em geral. Talvez para música experimental, ou algo assim. Se você estiver com problemas de mosquitos na sua casa, aumente o volume das caixas acústicas do seu micro e veja o vídeo abaixo:


Brincadeiras à parte, a voz dela é bacana e fica aceitável quando ela canta em uma extensão, digamos, mais  normal. O mesmo vale para os outros recordistas.

Depois de ter visto todas estas habilidades vocais, aquela famosa diva alienígena azul do filme O Quinto Elemento ficou sendo algo até mais factível (você lembra da cena?). A dona daquela voz absurdamente encantadora é a cantora Inva Mula Tchako, que você pode ver na foto abaixo.
(A atriz que topou vestir aquela fantasia esquisitíssima de Diva Plavalaguna foi a atriz francesa Maiwenn Le Besco).

(À esquerda: cena do filme "O quinto elemento"; à direita, a cantora Inva Mula Tchako)

Embora alguns digam que não, o fato é que teve algum processamento de áudio, é claro. Mas talvez menos do que a gente imagina. Segue abaixo um link para um vídeo com a música (que na verdade são duas músicas, primeira parte: Ato3, cena 2 Il dolce suono, de Lucia di Lammermoor, de Gaetano Donizetti, segunda parte: the Diva Dance, composto por Eric Serra.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tema de Vilma

Estes dias, navegando pelo YouTube a procura de algumas músicas para flauta, acabei sem querer me deparando com esta peça aqui:


Tocada em flauta pan, no título estava escrito "Tema de Vilma".
"Espere um pouco, Tema de Vilma? Mas esta não é a Dolannes Melody?" Sim, de fato é. Mas olha só que interessante:

A música original foi composta por Paul de Senneville e Olivier Toussaint, em 1975. Na foto abaixo, o de óculos é o Paul.


Paul de Senneville começou a vida como jornalista, mas em 1962 começou a envolver-se com música e não parou mais. Em 1975, compôs Dolannes Melody, que rapidamente tornou-se um enorme sucesso, executado pelo trompetista Jean-Claude Borelly. Aliás, nem todo mundo sabe, mas Dolannes Melody foi inicialmente escrita para tompete. Dá uma conferida abaixo:


Mas, quem é Vilma? Esta música ficou conhecida como "Tema de Vilma" graças a novela Pecado Capital, de 1975, onde esta música era o tema da personagem Vilma. No vídeo abaixo temos uma cena da novela (a Internet nos proporciona raridades mesmo):



No vídeo acima temos uma cena de um dos primeiros capitulos da novela Pecado Capital (1975/76), de Janete Clair, dirigida por Daniel Filho. Primeira novela colorida do horario das 20 horas.

Vilma (Debora Duarte), filha de Salviano Lisboa (Lima Duarte), visita pela primeira vez o psiquiatra Dr. Percival (Milton Gonçalves). Vilma era uma jovem com problemas emocionais, que vai se apaixonar por Nelio (Denis Carvalho).

Com a censura de Roque Santeiro (Dias Gomes) na noite da estreia, Janete Clair teve que escrever as pressas uma novela para substitui-la. Escreveu um dos seus grandes sucessos da televisao, Pecado Capital, em tempo recorde, e incluindo quase todos os atores ja escalados em Roque Santeiro. Debora Duarte vivia a Lulu, casada com Ze das Medalhas, e Milton Gonçalves, vivia o padre Honorio. 


Milton Gonçalves pediu a Janete Clair que lhe criasse um personagem profissional, que fosse diferente dos papeis normalmente vivido por atores negros, que interpretavam em geral gente probre e sem educaçao, ou escravos e domesticos. O seu personagem Dr. Percival foi um marco na historia da televisao, por quebrar esteriotipos. E Debora Duarte pode mostrar todo o talento que tem com a sua Vilma, um dos personagens mais marcantes de sua carreira.


Para finalizar, é importante mencionar outro detalhe. Se você pesquisar por esta música no YouTube, você provavelmente vai encontrar muitas ocorrências relacionadas ao pianista Richard Clayderman (sim, aquele loiro do piano branco). Isto tem um motivo: a carreira de Clayderman e os compositores Paul de Senneville e Olivier Toussaint sempre foram coisas muito próximas. Tanto é que a música "Ballade pour Adeline" (composta pelo papai Senneville para a filha Adeline) teve sua gravação especificamente solicitada ao Clayderman, que na época teve sua carreira de pianista catapultada às alturas com isto.

Esta balada água-com-açúcar já está mais do que massacrada, mas se bateu a saudade curiosidade, eis o vídeo logo abaixo:


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Santa Maria de Iquique

Este post eu dedico ao meu padrinho Ademar, que durante minha faculdade me apresentou a seguinte obra (em disco de vinil) sobre a qual falarei agora.

No cancioneiro do grupo chileno Quillapayún há um disco, de 1970, chamado Cantata Popular de Santa Maria de Iquique. Esta cantata conta a história do massacre da Escola Domingo Santa Maria, em 1907, em que 3.600 operários salitreiros chilenos foram assassinados como resposta dos “negociadores” diante da greve de uma das atividades mais importantes do país e na época já controlada por estrangeiros, principalmente ingleses.


A história é a seguinte:
Foi em dezembro de 1907, em Iquique, cidade portuária do Norte chileno, responsável naquele tempo pelo escoamento da produção de salitre das minas da região.

As empresas salitreiras, basicamente inglesas, manejavam todo o sistema, inclusive comercial. Os trabalhadores não recebiam dinheiro, apenas fichas, que só eram aceitas em lojas, chamadas de pulperías, pertencentes aos patrões, onde eram obrigados a comprar aquilo que necessitavam. Com o tempo, o poder de compra das fichas foi baixando, mas o valor do soldo se mantinha o mesmo.

Os operários decidiram então se organizar, pedir o fim do sistema das fichas e que o soldo subisse para 18 peniques (os pennies, “centavos” da libra esterlina), além de melhores condições de segurança no trabalho.

“Falamos de uma atividade de extração de salitre em pleno deserto do Atacama, com temperaturas de 30ºC durante o dia e -5ºC à noite. Falamos de condições de trabalho do princípio do século XX, quer dizer, mínimas condições de segurança e de higiene, moradias precárias. E um trato econômico muito deficiente”, explica o sociólogo e historiador Bernardo Guerrero, professor na Universidade Arturo Prat de Iquique.

Como os patrões viviam na Inglaterra, não havia quem os ouvisse. Decidiram então ir a Iquique, onde estavam a aristocracia salitreira, o porto, os bancos e a intendência do governo central de Santiago. Aliás, uma das partes mais emocionantes da cantata é no momento em que temos um trabalhador dizendo para sua mulher, que carrega o filho no colo, para que confie e vá com ele, pois serão ouvidos em Iquique.

O pânico tomou conta da aristocracia salitreira, e a administração local resolveu concentrar a massa em uma escola, chamada Domingo Santa María, vazia por ser período de férias. Organizou-se um comitê de greve e líderes como José Brigg e Luis Olea foram negociar com o intendente Carlos Eastman e os salitreiros.

Eastman disse então que iria a Santiago buscar a solução para os conflitos. Era 16 de dezembro. No dia 20, retornou em um navio de guerra, com um destacamento da Marinha e o general Roberto Silva Renard. Os grevistas os receberam no porto com grande festa e aclamações, esperando pela resposta que trariam. Mas naquela noite declara-se estado de sítio, suspendendo-se os direitos civis.

No dia 21 de dezembro, a escola amanhece cercada por canhões e metralhadoras. Os operários se negam a aceitar a exigência de voltarem ao trabalho e esperam por uma resposta das autoridades. Às 15h, o general Silva Renard ordena o bombardeio da escola e que os operários que sobrassem fossem mortos a golpes de baioneta. Não há como precisar o número exato de assassinados pois não houve registros e os mortos foram enterrados em valas comuns.

O texto integral da cantata você pode obter aqui. E (o mais importante) a própria cantata você pode fazer o download do www.4shared.com (faça a procura usando as palavras "quilapayun sta maria iquique").

EDITADO: A cantata foi removida do 4shared. Então, para download, pode-se usar este link.

Recomendo!

domingo, 26 de junho de 2011

Música eletrônica

Eu tenho duas grandes paixões musicais sobre as quais, sempre que possível, gosto de ler, entender mais e experimentar: a música erudita e a música eletrônica. Pode parecer meio estranho em um primeiro momento, mas não é. Gosto da beleza, da profundidade e da complexidade da música erudita. E gosto também do caráter experimental, vanguardista e por vezes até mesmo tribal da música eletrônica. Em minha vida, já tive algumas calorosas e irritantes discussões sobre meus gostos musicais supostamente incompatíveis. Hoje apenas acho divertido e constrangedor as limitações mentais de algumas pessoas.

Uma boa introdução sobre a música eletrônica pode ser obtida aqui:

http://en.wikipedia.org/wiki/Electronic_music

Um guia muito legal que eu encontrei na Web sobre música eletrônica é o Ishkur's Guide to Electronic Music. São info-gráficos feitos em flash, com amostras de cada um dos sub-gêneros, agrupados em suas grandes famílias de estilo (house, trance, techno, etc.). Este valoroso trabalho pode ser conferido no link abaixo:

http://techno.org/electronic-music-guide

Nestes gráficos é possível, inclusive, compreender melhor as conexões que existem entre os diferentes sub-gêneros, bem como a época na qual ele teve origem. Abaixo, uma tela capturada para dar uma idéia:



Eu particularmente gosto mais de Trance, principalmente o seu sub-genêro GoaTrance. Mas é como disse o Armin van Buuren: Não seja prisioneiro de seu próprio estilo!
Você pode conferir o trabalho deste DJ no YouTube (confira este trecho do show "Imagine", de 2008) ou também no site Digitally Imported, que é uma rádio via Web, na qual o DJ Armin tem um programa semanal.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Martha Argerich

No último domingo, dia 5, a famosa pianista Martha Argerich fez 70 anos.


Martha é uma pianista de origem argentina. A sua aversão pela imprensa e publicidade afastou-a das câmeras durante quase toda a sua carreira, tendo dado relativamente poucas entrevistas. Por causa disto, ela é menos conhecida do grande público que outros artistas de envergadura semelhante. No entanto, Martha é amplamente reconhecida como uma das maiores pianistas de seu tempo.

No vídeo abaixo, Martha novinha ainda, executando brilhantemente a Polonaise nº6, de Chopin:
http://www.youtube.com/watch?v=KCSEwfqs-VM

Ou ainda, no Festival Verbier de 2008, Martha executando a Partita n.2, de Bach:
http://www.youtube.com/watch?v=7mFDXNODNyc&feature=related


Martha Argerich nos oferece ainda uma das melhores interpretações do complicadíssimo (e maravilhoso) Concerto para Piano nº 3 de Rachmaninoff, considerada por muitos como a sua versão definitiva.

Quem assistiu o filme Shine sabe que o "Rach 3" pode fazer o pianista pirar...


Mais informações sobre esta genial pianista aqui.